A descrição acima pode ser atualmente encontrada em uma seção exclusiva, dentro do site oficial da Sony Ericsson para o Brasil. Embora ainda não existam previsões específicas para o lançamento do Xperia Play em território brasileiro, é impossível não reservar algum entusiasmo. Seja pela promessa de um “smartphone eficiente e completo”... Ou pelo simples fato de encontrar uma campanha publicitária relacionada ao aparelho em português.
Mas a proposta do Xperia Play parece ir além do jargão publicitário que abre este texto. Trata-se de uma verdadeira reviravolta na abordagem da Sony em relação ao mercado de jogos portáteis. Em suma? Apostar todas as fichas em consoles dedicados já não parece tão recomendável quanto foi um dia — notadamente, na época do primeiro PlayStation ou mesmo quando o PSP deu as caras, em 2004.
Em outras palavras, o mercado de smartphones emite atualmente um recado claro o suficiente para quem quiser/puder ouvir: agregue o máximo de funções que puder em um mínimo de hardware ou acabe comendo poeira.
Dessa forma, embora uma grande parcela do público ainda não tenha compreendido qual é realmente a proposta do Xperia Play — é um smartphone? É um PSP com menos poder de fogo? É um repositório para jogos reciclados a preço de banana? —, é certo que o smartphone da Sony surge como uma medida inevitável. Como uma forma de ocupar o vácuo óbvio deixado pelo crescimento exponencial do setor, cujo carro-chefe não poderia ser outro que não o iPhone. Mas a coisa parece ir um pouco além disso...
Um portátil robusto e multitarefaVideo game, câmera, MP3... E até telefone!
Mas a dimensão puramente técnica do Xperia Play também não decepciona. Trata-se de 1 GHz de processamento com chip gráfico de 512 MB de memória RAM. O resultado disso são estáveis 60 quadros por segundo em uma tela bastante razoável de 4 polegadas. Confira a ficha técnica completa abaixo:
- Sistema operacional Android 2.3 Gingerbread
- Processador Snapdragon de 1GHz
- Unidade de processamento gráfico Qualcomm Adeno 205
- Tela LCD multitoque de 4 polegadas
- Resolução de tela de 854x480 pixels
- 60 quadros por segundo
- Bateria com duração de 5 horas e 35 minutos com um game rodando sem parar
- Controle certificado Playstation em slide
- Sistema quad-band GSM ou CDMA
- Conectividade Wi-Fi e Bluetooth
- Câmera de 5 megapixels com autofoco
- Flash LED
- Alto-falante estéreo
Sim, o Xperia certamente é impressionante do ponto vista técnico. Mas seria necessária muita inocência para acreditar que um aparelho pudesse vingar contando apenas com um bom processador ou uma quantidade razoável de memória, certo?
Sem problemas. Segundo informações da Sony, o Xperia Play contará com 50 títulos para o seu lançamento durante este mês. Há até mesmo um mimo para os fãs do primeiro PlayStation: rumores sugerem que o inesquecível Crash Bandicoot será parte do pacote.
Também o apoio de desenvolvedoras de grande relevância no meio portátil parece crescer “semanalmente”, segundo afirmou um representante da Sony. Até o momento foram confirmados EA, Gameloft, Trendy Games e Glu Mobile. Entre as franquias confirmadas para o aparelho estão Dead Space, FIFA e Assassin's Creed.
Além disso, também será possível instalar jogos já conhecidos do Android, tais como Tetris, The Sims e tantos outros. Mas sim, ainda há mais lastro no barco do Xperia.Havok e Major Game League a bordo
Durante o primeiro evento estadunidense reservado para a demonstração do supercelular da Sony Ericsson, uma parceria das mais interessantes foi revelada: o conjunto de ferramentas de desenvolvimento daHavok terá suporte para o aparelho. Trata-se de uma engine capaz de representar reações físicas em ambientes virtuais — presente em jogos como Uncharted 2: Among Thieves e Halo 3.
Entre os motivos que levaram a empresa irlandesa a fazer sua primeira incursão no Android estão os controles clássicos e também o poder de fogo do Xperia Play. “É óbvio que existe uma configuração de hardware nesse aparelho que não está em todas as plataformas de Android”, afirmou o engenheiro da Havok Steve Ewart em entrevista ao site Gamasutra.com. “Entre os nossos clientes, existem pessoas que querem que se vá além... Eles nos pressionam, e nós, portanto, pressionamos as plataformas”.Em outras palavras, o Xperia Play permitirá que se rodem jogos mais complexos do que a média encontrada entre aparelhos móveis atualmente. “Se você precisa colocar simulações físicas, e se há a necessidade de empilhar diversos personagens mortos... Trata-se de um problema físico visceral. Será necessário ter capacidades extras para criar esse cenário”, afirma Ewart.
Por fim, a Sony também anunciou um patrocínio para a Major League Gaming, liga de jogadores estadunidense responsável por organizar torneios através dos Estados Unidos e do Canadá. O Xperia Play será promovido durante os eventos organizados pela MLG, e também aparecerá em conteúdos online a partir de abril.
Abram espaço para o XperiaNova tecnologia para um novo modelo de negócios
Ok, então a tecnologia do Xperia Play é bastante respeitável, adjetivo que também serviria para qualificar a já longa lista de empresas que apoiam a nova empreitada da Sony. Entretanto, é de se perguntar: que tipo de cenário se anuncia na forma do Xperia Play? Trata-se de um embate direto com o iPhone? Ou talvez a coisa seja ainda mais ampla, revelando os smartphones como as plataformas móveis do futuro?
Considerando-se que há ainda um terceiro competidor de peso nesse meio, passa a ser possível traçar algumas linhas gerais para o atual momento da jogabilidade portátil. Afinal, o smartphone da endossado pela marca PlayStation foi confirmado apenas dois dias depois de o Windows Phone ter recebido um forte estímulo por parte da Nokia — atualmente o maior fabricante de celulares e afins em termos de volume. Basicamente, o sistema operacional da Microsoft passará a operar em toda a linha de aparelhos inteligentes da empresa.
Já por parte da própria Sony Ericsson, a política parece ser eminentemente expansionista. “Queremos nos tornar a maior fabricante de celulares Android [do mundo]”, afirmou o presidente da empresa, Bert Nordberg em entrevista à agência Reuters. Em números, a fatia da Sony Ericsson deveria passar dos 14% atuais para 25% do mercado de smartphones baseados no sistema operacional da Google.
Nada muito “matador” no início
Embora as promessas em relação ao Xperia Play sejam no mínimo inflamadas, não se pode dizer que os seus fabricantes não tem consciência do atual estado de “abarrotamento” do mercado de telefonia e jogatina móvel. “Eu não vejo [o Xperia Play] como uma plataforma de jogos, para a qual você teria jogos exclusivos”, afirmou o gerente de mercados da Sony Ericsson, Dominic Neil-Dwyer.
A empresa parece acreditar em um desenvolvimento mais gradual, baseada sobretudo em questões... Práticas. “Eu acredito que as pessoas vão comprá-lo porque, ‘ei, é um smartphone fantástico’, e ‘wow, eu posso fazer grandes jogos aqui’, ou ainda porque ‘minha nossa, tem este jogo, e aquele outro jogo, e mais aquele...”, comentou o lúdico executivo.
Mas Sony Ericsson parece bastante confiante no apelo dos botões clássicos do PlayStation e no poder de fogo do Xperia para conquistar novas parcerias. “Algumas pessoas buscam avidamente pelo pioneirismo, elas veem uma oportunidade para pegar algo ainda incipiente. Mas se você simplesmente cria uma nova versão [portátil] de algo que já está 90% pronto, isso faz sentido”, concluiu Neil-Dwyer.
De qualquer forma, esse parecer mais realista serve para “botar panos quentes” em um receio bastante recorrente quanto a atual política da Sony. Em resumo, seria o seguinte: como a Sony poderá prover conteúdos de qualidade para tantas plataformas distintas? “Se você pensa que [a Sony] será capaz de prover suporte sólido na forma de softwares para todos esses aparelhos simultaneamente, então eu tenho aqui uma ponte que gostaria de lhe vender. E ela vai custar menos que o NGP”, afirmou Chris Kohler, fundador do blog Game|Life, pertencente ao Wired.com.Enfim, O Xperia Play não apenas traz uma tecnologia sem precedentes para o mercado de smartphones — considerando-se o conjunto “botões clássicos do PlayStation + poder de fogo” —, como também parece capaz de inaugurar um novo sistema de negócios, conforme promove uma (semi)integração entre telefonia, distribuição digital e jogabilidade hardcore. Resta agora aguardar os próximos movimentos da concorrência. Tweet
Nenhum comentário:
Postar um comentário